sábado, outubro 16, 2010

Fusão com Serviços Prisionais não agrada a técnicos da Reinserção Social

Público
Medida visa diminuir despesa pública, foi decidida em Conselho de Ministros e entra em vigor a 1 de Janeiro

A Direcção Geral de Reinserção Social (DGRS) vai deixar de ser um organismo autónomo e ser integrada na Direcção Geral dos Serviços Prisionais (DGSP). A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, no dia 11, e não agrada à maioria dos cerca de mil funcionários do primeiro organismo, os quais temem vir a ser integrados numa estrutura que consideram “conservadora e imobilista” considerando que, no futuro, se verifiquem reflexos perversos nos tribunais.
Prisão de Coimbra
“A pequena redução de custos que, por ventura, agora se conseguirá, através do desaparecimento de um ou dois cargos, irá transformar-se num acréscimo de despesas dentro de algum tempo. Com a integração do pessoal da DGRS nos Serviços Prisionais irá prevalecer uma cultura mais conservadora e imobilista que terá reflexos perversos nos tribunais, com o aumento das condenações e o aumento do número de presos, aumentando assim a despesa”, explicou ontem ao PÚBLICO fonte da DGRS.

A fusão dos serviços deverá ocorrer no dia 1 de Janeiro, conforme explicou a directora geral da DGRS, Leonor Furtado, através de um comunicado distribuído aos seus funcionários. Nesse comunicado a responsável diz ainda que sempre defendeu a autonomia dos serviços de reinserção, “coincidindo esta posição com as tendências europeias em matéria da Probation, tendo referenciado isso mesmo ao senhor ministro da Justiça”.

O processo de fusão dos dois serviços terá sido pensado em cerca de dois meses, não tendo sido contactados técnicos da DGRS para opinarem sobre o futuro funcionamento. “Não há envolvimento dos serviços [de reinserção] na formulação da nova lei orgânica, a qual deverá manter a predominância da matriz dos Serviços Prisionais, onde os funcionários têm, naturalmente, objectivos diferentes”, disse ainda a mesma fonte.

Actualmente os Serviços Prisionais têm a seu cargo cerca de 11500 reclusos, enquanto que a DGRS, só na areal penal, possui cerca de 17 mil casos. Depois, têm ainda a incumbência de entregarem aos tribunais milhares de relatórios e de preparem outros tantos relativos à delinquência juvenil.

Um comentário:

  1. Como funcionária dos Serviços Prisionais,e como cidadã que paga os seus impostos regularmente,parece-me necessária e urgente pôr em prática esta fusão, sendo que, por vezes assistimos a uma duplicação dos conteúdos funcionais,envolvendo vários profissionais,desnecessáriamente, podendo aproveitar os profissionais para desenvolver outras funções, dentro dos serviços prisionais, refiro-me concretamente à área da Psicologia, que é escandaloso o facto de existirem empresas a contratar psicólogos, mas suportado com orçamento do Estado, ou seja , "Estado a pagar ao Estado".
    Também gostaria de deixar o meu testemunho, numa linha de contingência da despesa pública, sobre a existência da figura de Adjuntos dos Directores nos Estabelecimentos Prisionais.
    Não se justifica, tendo em conta que estes acabam por substituir a figura dos Directores no seu conteúdo funcional, quando os mesmos,já usufruem de um vencimento compatível com a função para a qual foram designados. Assim, os adjuntos, todos eles técnicos superiores, a maioria com formação na área das ciências sociais e humanas, poderiam retomar as funções como técnicos, colmatando a falta de técnicos para o tratamento penitenciário.
    É bom relembrar, que a figura dos Adjuntos surgiu em 1997,eram nomeados pelos Directores dos EP, mas sem qualquer critério de selecção, bastava serem da sua "confiança", o mérito e as competências pessoais e profissionais eram secundárias. Inicialmente chegaram a ser 5/6 por Director, quando anteriormente havia a figura dos coordenadores, e Chefes de Secção o que não acrescia despesa pública.Outra questão é o facto de cada Director ter um carro de serviço e um motorista( em geral é Guarda Prisional), utilizando por vezes este meio, para benefício próprio e família, como é sabido pelos demais funcionários.Enfim,é urgente que o Governo se inteire da realidade que se passa nos serviços prisionais, pois ainda funciona por feudos, talvez porque o sistema prisional seja ainda o "parente pobre" da justiça!

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